segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Rédeas da vida


O fim do ano traz uma sensação enorme de doação. Ficamos mais sensíveis, mais vulneráveis, mais emotivos. Choros e risos demais. Mas muito demais. Mistura dos dois. Perdemos o controle das coisas, da vida. Essas duas últimas semanas parece que queremos que tudo aconteça, um desejo enorme de resolver todos os problemas e recomeçar.

Isso acontece porque sempre achamos que o ano que vem a frente nos trará melhores momentos e que as escolhas que fazemos irão ficar para trás e poderemos ser novas pessoas. Mentira. Tudo será como antes e não serão uns fogos de artifício, bebidas e conversa fiada que trarão renovação. É preciso mais.

É preciso tomar a vida para si, controlá-la e levá-la para onde você quiser. A vontade é sua. As escolhas são suas. Então, não deixe o destino decidir, decida você. Siga em frente. Amor, saúde, trabalho... está tudo em suas mãos. Se você desistiu, se você não se cuidou e se você não correu atrás não coloque a culpa no destino, a culpa é sua e das escolhas que fez para seguir em frente.

Mas sempre há tempo. Se nada deu certo. Não olhe para trás, busque acertar da próxima vez. Pode ser nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, mas você pode fazer diferença. Sempre há jeito.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Crenças


Muitos falam que crer em alguma coisa vai fazer a sua vida melhor. E muitas vezes faz. O problema é quando as crenças são conflitantes. Se for assim, mesmo acreditando, você não será tão feliz assim. Eu acreditava. Acreditava no amor. Acreditava na paixão. E mais ainda: acreditava que, se você tem esses dois, tudo seria perfeito e não precisaria de mais nada.

Conflito: o outro não acredita nisso. Para ele, é preciso mais que amor, mais que paixão, mais que doação. Era preciso... não sei. Confundiu, complicou. Complexificou demais. Muito mais do que minha mente é capaz de alcançar. Imóvel. Desestabilizada. Desconcertada.

Achei que já estaria constante. Mas voltei a ser inconstante. Pensamentos confusos, tortuosos. Estaca zero. Só não mais no marco zero. Zero de pensamentos felizes. Zero de esperança. Zero de vontade. Vontade de tudo. De comer, de beber, de amar de novo. Cansada demais para continuar.

Sempre fui otimista, acreditava que agindo assim tudo iria ficar bem. Zero. Preciso me agarrar em alguma crença, tenho necessidade de acreditar em algo que me faça continuar. Mas o quê? De que adianta? Procuro mas não encontro.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Gênio e a felicidade


Ser um perdedor é algo que ninguém quer. Nem eu, nem você. Mas também é inevitável. Sempre perderemos alguma coisa na vida. Ou alguém. Perdemos para outro, perdemos para nada, perdemos para tudo. Grandiosidades e miudezas.

Mas o que seria de nós se só ganhássemos? Todos os desejos e sonhos realizados, como se tivéssemos uma lâmpada mágica e um gênio. Nada nem ninguém poderia me impedir. O mundo estaria em minhas mãos. Felicidade?

Hoje acordei com a sensação de que era a dona do mundo. Aqueles sonhos, desejos e fantasias atendidos. Tudo atendido. Mundo feito de sorrisos, a paz e a tranquilidade ao meu lado. O gênio também. Ele que me proporcionou isso. Mas como todo conto, de repente, ele se transformou no vilão, e com suas palavras mágicas e seus olhos penetrantes - os mesmo olhos que realizaram meus desejos - fizeram os meus sonhos se diluírem. Escorrer pelas mãos.

O mundo estava dividido então. Em desarmonia. A felicidade ficou distante e uma névoa sombria encobria tudo. Escuridão. Apesar do dia claro, acabei me juntando aquelas pessoas sem rosto, todas iguais, vivendo aquela vidinha amena, medíocre. Me vi no meio disso tudo. Fui junto. Meu gênio, imponente. Nada perturbado.

Cinza. Sem graça.

Mas sou otimista de berço. Basta alguns minutos e vejo o sol voltar a brilhar, mesmo nos dias de temporais. Chuvas torrenciais. É isso que me move: esperança. A água vinda do céu lava as ruas, as calçadas, os corpos. Num pedacinho de azul vejo meu gênio. Ele também me vê. E entre tudo que está a minha volta, ele olhará para mim, me reconhecerá e eu serei seu foco novamente. Ele lembrará de meu olhar e da satisfação que tinha ao declamar sua magia para me ver feliz. Voltará para mim, para minha lâmpada, para meu mundo, onde o sol sempre está presente e as cores são hipersaturadas.

Egoísta, eu?