terça-feira, 30 de outubro de 2012

Príncipe, herói e vilão


Se até aquele momento eu não sabia explicar, como conseguir fazer ela entender o que tinha acontecido? Mesmo abalada com tudo, tinha que falar alguma coisa. Abaixei e olhei naqueles olhos ainda inocentes, mas tão confusos quanto os meus. Na minha cabeça só uma pergunta: como?

Pensei em mil coisas, tive um montão de ideias. Meus lábios tentaram por várias vezes pronunciar alguma palavra, qualquer uma que fosse. Nada. Dei um abraço. Chorei prendendo todos os soluços possíveis para que ela não escutasse minha dor. Controlada, ficamos ali, não chão mesmo. Papéis invertidos. Ela sentada, fazendo cafuné. Eu deitada, querendo colo. Só que eu que tinha que dar explicações...

Príncipes encantados não existem. Podem ser heróis e serão para alguém. Para ela, que estava ali comigo, ele era herói mesmo nunca tendo sido inicialmente um príncipe encantado. O que nem ia ser para ela. Nunca, eu sabia. Mas também sabia que um dia alguém seria o príncipe dela, o herói e o vilão.

Ideias. Contos de fadas às avessas. Você é a bruxa, que está com o príncipe. Ele está apaixonado e amolece seu coração. Você, toda romantica, oferece o mundo. Confiante, como toda bruxa que se preze, não se importa dele sair com os amigos, dançar e se divertir; você tem coisas mais urgentes para fazer, como terminar aquela poção que completará a fase felizes para sempre.

Mas um dia ele não volta. Sem notícias, você fica preocupada. Quando o acha, ele virou um sapo e está sendo beijado por uma princesa, que acha que ele vai virar príncipe. Você é enfeitiçada neste momento: o feitiço da desilusão. E como num passe de mágica você está de novo presa na sua torre.

Acho que ela entendeu porque, ao final, chegou a seguinte conclusão: então as bruxas de hoje foram as princesas de ontem e poderão ser as bruxas de amanhã. Os príncipes são sempre sapos, só tem aparência de príncipes aos olhos de quem os beijam. Todos têm o poder de serem heróis e vilões e isso é só uma questão de percepção.

Voltei para minha torre e se aparecer algum sapo, acho que o mato.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Vergonha



Duro é quando você faz as coisas sem pensar nas consequências. Se entrega de corpo e alma a uma causa qualquer achando que ela é a mais importante da sua vida. Mas ela acaba. Você se vê frustado. Tenta de novo e de novo. No mesmo e em coisas diferentes. Nada.

Vergonha.

É esse o sentimento verdadeiro. Apesar de dizerem que é melhor se arrepender do que fez do que não ter feito, a vergonha que vem ao se olhar para trás é uma das piores sensações do mundo. Vergonha por ter tentado enquanto pode, vergonha pela exposição, vergonha por ter sentido. Vergonha de tudo.

Quem dera eu ser sem-vergonha...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

...

Dizem que a vida é feita de ciclos, que todo mundo passa por situações iguais na essência. Em algumas épocas espefícias parece que essa crendice torna-se realidade: por mais que se tente caminhos diferentes, que a vida pareça ter mudado, tudo volta, o bem e o mal. As pistas estão na cara, mas pela experiência, acredita-se que não irá acontecer novamente. Novos rostos, novos amigos, novos amores, novos lugares, novos pensamentos... com tantas diferenças, como caímos nas mesmas armadilhas do destino?

Deve ser a esperança, esperança de viver coisas boas novamente e que os erros ficarão para trás. Até mesmo ela é capaz de ser igual, vem do mesmo jeitinho que vinha antes, com ares e olhares, com toques e sorrisos, seduzindo e envolvendo tudo a sua volta para mais uma vez inebriar mentes e sentidos. E você cai nela novamente, abre o ciclo para circundá-lo de novo, mesmo sabendo que este caminho levará ao céu e ao inferno.