domingo, 16 de outubro de 2011

Horas a fio


A ansiedade é a maior inimiga do tempo. Apesar de acharmos que o tempo passa rápido demais ou anda vagarosamente em alguns momentos, é nossa ansiedade que faz ele ser assim. O dia tem 24 horas, ponto. Mesmo no horário de verão.

Passar o dia esperando um telefonema faz tudo passar mais devagar. As horas passam. Nada acontece. O tempo é longo, mais que o normal.

E quando se está esperando por alguém? Se faz de um tudo para ocupar a mente. Até um banho mais longo se toma. Deixa-se a água escorrer pelo corpo, e bem devagar lava-se o cabelo, passa-se sabonete. Fechar os olhos e tentar sentir o perfume e o gosto da água é fantástico.

E não para por aí: hidratante, cabelos, roupa para dormir... tudo tão devagar só para esperar o tempo passar. E ele passa. Mas não tão rápido quanto se gostaria.

Outros momentos, ele é veloz, principalmente se esse banho é junto a alguém especial. Ou depois que esse alguém chega. Você pisca e tchum, a pessoa já foi embora novamente. E o tempo, traiçoeiro, volta a não ter pressa de passar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Indiferente, jamais


A gente ri e a gente chora. Muito das duas coisas. Gargalha e debulha-se em lágrimas. O certo é que nunca é a mesma coisa. Nunca é indiferente. Um ponto no meio do nada muda a cada segundo. Ninguém consegue ser o mesmo. Nunca.

O fato de parecer que não mudamos não significa que se é o mesmo. Após ler esse texto, você não será o mesmo. Após eu escrever e publicá-lo, também não serei a mesma pessoa. Então por que cargas d'água um sempre quer mudar o outro? Porra, já se muda constantemente, qual é o problema?

O problema é que nunca somos perfeitos, nunca correspondemos a todas as expectativas. Mas somos suficientes pelo menos naquele instante. O desejo é ser suficiente sempre. Buscamos uma autossuficiência para viver. Nos bastarmos. Mas não é assim. Precisamos do outro. Pior: ele precisa nos aceitar assim, desse jeito.

Jeito moleque, levado. Jeito sério, brigão. Jeito meigo, acanhado. Sempre? Nunca!

Você subia em árvores quando criança. Ainda sobe? Você se lambuzava de doces, corria atrás de pipa, tinha vergonha de beijar a bochecha de alguém, queria ser professor, médico e até ministro. O que aconteceu? Mudou. E isso acontece. Faz parte. Não é proposital.

Então, não dê a desculpa que "sou assim e não quero mudar", você já mudou, independente de alguém pedir ou não. Você não é autossuficiente; se importa com as pessoas e muda junto com elas com um breve contato ou rápida conversa. Um "bom dia" pode mudar sua vida.

Os risos e as lágrimas mudam a gente. O que não pode é ser indiferente. A indiferença deve não ser capaz de mudar. Ela deve paralisar você no tempo. Mas dessa forma, você fica e os outros vão. É isso mesmo que você quer?