As histórias são iguais, o que muda é a percepção que temos sobre elas. Assim também acontece com os abismos da vida. Você pode se jogar de qualquer um deles. Os reais, aqueles que têm milhares de metros de profundidade, causam estragos perceptíveis rapidamente. Se você está fazendo uma trilha, basta dar uma escorregada e foi-se a sua vida em alguns poucos segundos. Dor rápida. Passageira. Sem grandes distúrbios. Só para os que ficam, mas não tem opção, não há escolha.
Apesar disso, os abismos imaginários são os piores, pois ao cair neles são horas - dias, semanas e até meses - de queda livre. O estrago pode até ser visto, mas não sem um certo cuidado. As paixões normalmente estão neste abismo. Para alcançá-la, você precisa se jogar. E de cabeça. Nada de escorregadinha. É preciso pular sem pensar no que vai acontecer, onde está o fundo. E este é sempre alguém que coloca, para você bater a cabeça, com força, mas sem morrer, só para da próxima vez pensar melhor antes de de atirar nas profundezas do amor...
É um abismo tão subjetivo que não há nada nem ninguém que possa lhe tirar de lá. Alguns amigos tentam estender a mão para puxar você de volta. Eles não entendem nada. Amigos de verdade lhe veem caindo e se jogam junto para fazer companhia na queda. Nesta descida, de mãos dadas e olhos fechados, pode passar uma ventania e fazer o curso da queda mudar de rumo. Essa é a ideia: um abismo sem escalas que leva a gente para onde for melhor.
Me jogar? Já fui. Amigos? Estão aos poucos se jogando comigo e, daqui a pouco, formaremos um grupo tão grande que virará um balão só para que eu possa ver o abismo de cima e passar a se levada com mais segurança pelos caminhos da vida. Sem rumo. Sem medo. Juntos, sempre.
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