segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Medos. Sempre


Se assustar com algo novo é normal. Mas ficar assustada com algo que já se conhece como se fosse a primeira vez, nem tanto. Mas sou inconstante e os sentimentos dentro de mim vão e voltam o tempo todo. A segurança dá lugar à insegurança; as certezas, às dúvidas; a clareza, à escuridão. Virou rotina: nada mais normal que passar as horas a contemplar o interior e descobrir em segundos a imensa capacidade de mudar, de ser um camaleão, de se adaptar, de se jogar, amar, desiludir, morrer e viver.

Sou mulher, sou criança. Uma adolescente passando pelos primeiros sentimentos profundos. Confusos. Mesmo que de novo. Lágrimas no olhar, medo de não agradar em uma tentativa constante de ser permanentemente perfeita, sabendo que não é e nem nunca vai ser. E daí? Quem nunca tentou agradar ao máximo o outro? Quem nunca desejou ser perfeita para quem está ao lado para que esta pessoa continue lá? Quem nunca desejou não ter sofrido para não sentir medos e incertezas quando algo bate novamente a sua porta?

Coragem e medo andam juntos na busca pela felicidade. Se você não é assim, feche a porta, fique enclausurado em seu mundinho, esqueça relacionamentos, amigos, família. Não ligue a TV, não escute rádio, deixe a música de lado. Morra. Só assim para parar de sentir medo e não precisar ter coragem de enfrentar tudo de novo.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Recomeços


Dias e dias a fio sem conseguir escrever uma palavra. Para quem tinha um turbilhão de pensamentos inebriantes para colocar para fora, isso parece uma absurdo. Busquei nos últimos tempos algo que pudesse decifrar, algo que realmente fosse importante, um sentimento, uma dor... nada. Achei um nada. Ou melhor, achei um tudo que não queria compartilhar; então, descobri que a dor é uma grande inspiração.

Ao me deparar novamente com um certo tipo de felicidade decidi que queria vivê-la. E quem vive não tem muito tempo para dor, para ruminar pensamentos, mergulhar em sentimentos tão profundos em que se fica quase incapaz de voltar a rotina perturbadora, ao cotidiano insosso. Muitos dizem que as palavras vem do coração e formam músicas, poemas, frases lindas de se ler. Mas completo: elas vêm de um coração dolorido, que deseja arrancar tudo que faz mal. Por isso as palavras saem. É uma tentativa desesperada de voltar a viver, de limpá-lo por completo para recomeçar.

Após quase três semanas de esquecimento, me pus a pensar novamente. Mas nenhuma dor mais me consome. Saudades ainda tenho, mas ela não dilacera mais meu coração e entorpece os meus sentidos. Uma saudade boa, de boas horas vividas, de bons papos e risadas. E como lembro das risadas, nada comparado ao vivido nos últimos meses. E nada mais que valha a pena lembrar. Deixo as boas lembranças na memória e bons sentimentos para um recomeço.