Dias e dias a fio sem conseguir escrever uma palavra. Para quem tinha um turbilhão de pensamentos inebriantes para colocar para fora, isso parece uma absurdo. Busquei nos últimos tempos algo que pudesse decifrar, algo que realmente fosse importante, um sentimento, uma dor... nada. Achei um nada. Ou melhor, achei um tudo que não queria compartilhar; então, descobri que a dor é uma grande inspiração.
Ao me deparar novamente com um certo tipo de felicidade decidi que queria vivê-la. E quem vive não tem muito tempo para dor, para ruminar pensamentos, mergulhar em sentimentos tão profundos em que se fica quase incapaz de voltar a rotina perturbadora, ao cotidiano insosso. Muitos dizem que as palavras vem do coração e formam músicas, poemas, frases lindas de se ler. Mas completo: elas vêm de um coração dolorido, que deseja arrancar tudo que faz mal. Por isso as palavras saem. É uma tentativa desesperada de voltar a viver, de limpá-lo por completo para recomeçar.
Após quase três semanas de esquecimento, me pus a pensar novamente. Mas nenhuma dor mais me consome. Saudades ainda tenho, mas ela não dilacera mais meu coração e entorpece os meus sentidos. Uma saudade boa, de boas horas vividas, de bons papos e risadas. E como lembro das risadas, nada comparado ao vivido nos últimos meses. E nada mais que valha a pena lembrar. Deixo as boas lembranças na memória e bons sentimentos para um recomeço.

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