Morri.
Acordei em outro lugar assustada com alguém me dizendo que tudo iria acabar bem. Não tinha muita certeza disso, pois reconhecia aquela voz, aquela silhueta e aquele toque em meu rosto. Eu não era indiferente a eles, mas não conseguia ver quem era exatamente, ou não lembrava, era algo que estava muito escondido em minha memória, mas que me causava calafrios, dores pelo corpo. A minha única certeza era de que aquelas sensações que me levaram até ali, o que não era lá um prenúncio de que algo bom iria realmente acontecer.
Acordei.
Não tinha morrido, não da forma como se morre normalmente. Era como um zumbi. Levantei, escovei os dentes, tomei banho, me arrumei e fui para o trabalho. Almocei, descansei, voltei a trabalhar. Fui para casa, tomei banho novamente, troquei os canais da TV e fui deitar para esperar mais um dia. Vida? Não, isso não pode ser vida.
Antes tivesse morrido, pois assim teria a certeza que tudo iria acabar bem. Aliás, já teria acabado, nem bem, nem mal, simplesmente teria tido um ponto final.


