Era um dia de sol, alto verão em algum lugar do mundo. Estava feliz por poder passar um dia com os amigos mais queridos do mundo. Mas não pude... Um encontro seria inevitável na situação. Resolvi fugir. Fugir do meu destino cruel de desejar muito, mas não poder lançar nem um olhar mais profundo naqueles olhos pretos que um dia fizeram eu me sentir única. Eu seria só mais um ponto na multidão, nada suportável.
Uma amiga topou me acompanhar e outro de levar minhas malas ao aeroporto. Cheguei com antecedência, comprei passagens para um lugar distante o bastante para me fazer esquecer aquela solidão. Esperei. 10 minutos para o voo. Cadê minhas malas?
Desço as escadas em desespero, entro em um condomínio que surgiu em meu caminho. Crianças nadando na piscina, garotos jogando bola, casais conversando na sombra de uma árvore. O tempo continuava a passar e aqueles segundos naquele lugar pareceram uma eternidade. Amigo? Amiga? Perdida de todos. Sozinha querendo fugir de tudo e de todos.
O avião decolou e eu continuei só, sentada num canto qualquer com as lágrimas a escorrerem pelo meu rosto com a intenção de afogar-me, não permitindo que eu respirasse, me mexesse ou fugisse dali... Meu destino teria que ser vivido. Rumo à crueldade.

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