Algo quebra dentro de mim a cada segundo. Creio que são pedaços do meu eu interior se desprendendo do meu corpo. Não que eu queira isso, pelo contrário, queria algo que juntasse tudo, como fazia meu coração. Sim, porque é nele que tudo estava grudado e fazia todo o resto funcionar perfeitamente. Mas roubaram ele, levaram não sei para onde e o destruíram.
Para seguir em frente, não basta superação. É preciso mais: tem que querer viver. Mas aí, me pergunto: como viver sem meu coração? Se não bastasse os problemas normais da vida, temos que criar outros, com soluções inalcançáveis? Não adianta traçar estratégias ou mesmo uma conversa franca, é preciso deixar o tempo passar? Se a cada dia que passa um pedaço de mim se vai, como deixar o tempo correr? Esperar o corpo definhar a espera do coração?
Se me devolverem, mesmo que em caquinhos, sei que posso fazê-lo bater forte novamente, basta alguns laços de fita coloridos como o arco-íris, uma cola forte como a confiança e alguns minutos de secagem ao nascer do sol. As feridas abertas com a violência da separação do corpo virarão cicatrizes que permanecerão, e para sempre, e isso só lembrará o quanto é importante cuidar um do outro, sem querer tirar nada, sem querer levar nada.
E se me perguntarem se sou capaz de doar novamente meu coração remendado, eu respondo com toda a certeza do mundo: definharia tudo de novo só para reviver os poucos momentos em que alguém cuidou dele para mim, ver que o meu coração deu vida para outra pessoa nem que tenha sido por breves instantes.
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