quarta-feira, 18 de julho de 2012

Devir permanente


Esses dias estava a conversar sobre luto e sobre as coisas que perdemos na vida. Todo mundo sempre perde algo ao longo da sua existência. Objetos, pessoas e até mesmo memórias. E tudo isso pode estar interligado em um momento único, congelado para a posteridade, em fotografias.

Ao olhar essas imagens, me lembro quem eu já fui, o que já vivi... penso em pessoas queridas, momentos felizes, presentes que ganhei, amigos, família, namorados. Elas me fazem viajar no tempo só para provar que tudo é feito de instantes e que são esses instantes que ficarão guardados, marcados como a ferro na pele.

Matutando sobre isso, lembrei de um livro de filosofia que li em que o autor fala sobre memória. Diz ele que todas as nossas lembranças ficam suspensas em uma virtualidade e que as resgatamos quando precisamos delas de alguma forma. Seria a ideia de que quando estamos para morrer toda a "vida passa na nossa frente", como se estivéssemos buscando algo que nos faça encontrar a solução para a sobrevivência.

Acredito nele. Por isso volta e meia reviro álbuns de fotografia e arquivos digitais. Busco neles sentido para a vida. Instantes congelados capazes de me fazer reviver, me dão gás para seguir em frente, fazem com que eu perceba que a vida é feita de momentos, bons e ruins, mas que são eles que me fizeram ser quem eu sou agora, porque no segundo seguinte já serei outra pessoa, transformada pelo tempo que já passou e não volta mais.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sofrimentos alheios... a tudo



Sei que você me bloqueia na vida, que não quer falar comigo. Que mal eu fiz? Amar demais?
Não o vejo mais, não ouço mais a sua voz, não tenho mais o toque da sua pele... será que esse sofrimento já não basta, é realmente preciso me maltratar mais?
A vida já anda me maltratando
Pessoas distantes, indiferentes a minha dor
Perversas. Mesquinhas. Ácidas. Burras. Interesseiras. Até violentas...
Não quero me expor, mas elas me expõe
Não quero mais nada, mas elas me obrigam a querer tudo
Fico sem querer ir ou vir. Inerte. Mas nem isso é mais permitido
Olhava para o horizonte e via um pôr do sol lindo. Mas qualquer coisa bonita me foi usurpada, como se seu não tivesse mais esse direito
Choro. E muito. Sozinha. De novo. Sempre. Como há muitos anos não chorava com uma perda.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Camisa de força


Quisera eu ter uma camisa de força para prender meus sentimentos
Algo que pudesse fazer com que tudo fique dentro de mim
Sou louca a procurar em outros o que já sei que existe em uma pessoa só
Amor, carinho, um olhar que me faz tremer

Corpos que não quero, beijos que não desejo
Fecho os olhos e tento imaginar um aroma único
Aquele que me faz sair do chão, voar para longe e esquecer os problemas
Aliás, que problemas?

Acordo e estou só novamente com minhas loucuras e meus anseios
Uma marionete na mão de um destino cruel e implacável que não me traz mais felicidade
Lágrimas no lugar de sorrisos ao dormir
Decepção no lugar de alegria ao acordar
Dormir para sempre

- Tirem minhas cordas, prendam tudo dentro do meu corpo até eu me acostumar a deixar tudo adestrado dentro de mim. Não funciono como um cão. Não sou marionete. Sou louca. Cordas não me ensinam. É preciso me aprisionar.

Camisa de força.

domingo, 8 de julho de 2012

Amores perdidos

E então, quando escurece, tudo parece pior. Um nome, uma palavra trocada, um vento frio entrando pela janela... cada momento passado tão lentamente quanto as lágrimas que escorrem pelos olhos e chegam salgadas à boca trêmula, incapaz de pronunciar qualquer palavra.

A tristeza, escondida no olhar durante todo o dia, ganha liberdade para sentir na escuridão da noite, na solidão do quarto. Ao lado, o rádio toca as notícias do dia, as tragédias do mundo. Poderia ser somente mais uma delas, a janela é uma das alternativas para tornar-se notícia.

Covarde.

Prefere ser notícia somente nas conversas alheias, nas fofocas melodramáticas de gente que não sabe o que é amar, olhar olho no olho, ter as bocas unidas como se fossem uma só ou os corpos encaixados feitos um para o outro, sob molde.

Fascinação, ilusão...

E a noite cai e traz com ela mais uma madrugada fria, com sentimentos tristes e melancólicos, com as cobertas servido ora para esquentar ora como lenços para enxugar as lágrimas que teimam em escorrer sem parar. É preciso esquecer, é preciso superar.

Um dia.

Vida: jogo


Eu achava que a paixão quando vinda dos dois lados superaria tudo. Engano. Há muitas coisas entre as pessoas que são mais complexas que elas mesmas não são capazes de explicar. E suportar.

A vida é pura complexidade. Não é porque fez isso de uma forma e obteve bons resultados que sempre dará certo. Assim, deve testar. Arriscar-se em tentativas. Algumas são bem sucedidas. Outras, não.

As que não dão certo nos trazem decepção - creio que essa seja a palavra. Em um relacionamento, por exemplo, os dois lados precisam estar dispostos. Quando somente um se doa, o verbo muda, e dói. Dói muito. O corpo e a mente. Perde-se o chão, a visão, o paladar, o gosto pela vida.

Por mais que se tente trilhar caminhos, chega a hora de um ponto final. Mas o mais complexo nisso é que o ponto final é algo que também não pode ser dado enquanto se tem a possibilidade. Pontos com vírgulas seriam mais adequados.

Acredito que mesmo a morte não coloque ponto final nas coisas. Pelo contrário, isso pode tornar tudo mais eterno do que qualquer sentimento. Porque o pior do amor não é aquele não vivido, mas o interrompido por casualidades da vida. Tipo um jogo de sorte e azar.

Mas se os dados forem viciados e só trouxerem o azar? Casualidades?

Rolem o dados.