quarta-feira, 28 de março de 2012

Pensamentos aleatórios sobre a vida

Fé é algo que já tive na vida. Perdi.

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Anjos e demônios devem coexistir para se ter um equilíbrio emocional. Queria ser o anjo, mas me fizeram de demônio só porque amo demais. Então, se querer bem a alguém me torna uma pessoa ruim, imagina se eu quisesse mal?

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Não acredito em Deus.

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Se Deus existisse, iria tomar conta melhor dos seus subalternos para eles não ficarem fazendo merda por aí.

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Mentira tem perna curta.

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Espero que a verdade não venha à cavalo, isso é muito lento. Que ela venha com a velocidade da luz, antes que seja tarde de mais.

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Se o amor é vida, por que ele é capaz de matar?

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Descobrir que cometeu uma injustiça com alguém deve ser algo muito ruim. Reconhecer isso não é fácil; buscar mudar a situação é um drama. Agora imagina quem sofreu a acusação?

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Não sentir fome pode significar que algo está errado. Mas não sentir mais vontade de viver, significa que algo realmente vai mal.

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Família que se envolve no relacionamento de um casal não é família, são intrusos que adoram meter o bedelho onde não foram chamados.

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Você só é independente se a decisão sobre suas as ações dependem só de você. Mas se para tomar decisões você precisa de outras pessoas, a única coisa que você tem é o sofrimento causado pelos seus atos. E esse, só você tem, mais ninguém, nem aqueles que o ajudam a escolher caminhos sofrem as consequências.

terça-feira, 27 de março de 2012

Inquietudes



Noites de pouco sono. Manhãs de muito sono.
Quando se deve dormir, se está acordado.
Do contrário, quando se deve agir, o desejo é repousar.
Insônia?

A vida tem dessas coisas, principalmente quando o seu dia é feito de pesadelos e suas noites, de sonhos profundos e iluminados. Assim, se quer dormir de manhã para viver uma vida de felicidade e se quer ficar acordado à noite para continuar vivendo assim. Conflitos gerais.

Nunca se sabe o que causa isso. Noites a fio pensando nos melhores caminhos para tornar o dia mais fácil. Adormece-se e os sonhos voltam, uma mistura mágica de sentimentos tão fortes que se acorda para viver aquilo. Não, de volta ao pesadelo. E ainda são 4h30 da madrugada.

Hoje, será um longo pesadelo que só terá fim quando o dia acabar e surgir a possibilidade dos sonhos retornarem.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Procura-se coração

Perdido há praticamente três meses.

Foi visto pela última vez no sábado pelas ruas do centro da cidade. Estava acompanhado de um rapaz. Crê-se que é o mesmo cara que o pegou há pouco mais de um ano, mas ainda era visto pelas ruas juntos, o que configurava consciência por parte do coração.

Hoje, pelo sumiço, subentende-se que ele esteja perdido e machucado. Antes do último paradeiro, foi visto pela Bahia, pela Zona Sul do RJ e outras vezes perdido por aí, em um lugar ou outro. Até então, ninguém estava preocupado com ele, mas neste momento, sua dona está desesperadamente atrás dele, pois não aguenta mais de aflição sem saber o que acontecerá com esse pobre órgão sofredor.

Assim, quem o achar por aí, por favor, entre em contato, pois a cada dia que passa a saudade aumenta e o corpo entristece.

Paga-se resgate, mesmo estragado. Ela conserta.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Série 'Encontros e desencontros' - parte 4


Um ônibus passa veloz. Ela está dentro dele, meio acordada meio dormindo. O vento entra pela pequena fresta da janela e acalma os transtornos do dia como uma brisa do mar em um fim de tarde na praia. A sensação é a mesma, pelo menos naquele momento. Apesar do dia agitado, ela continua com os olhos fechados, como em repouso, e mil pensamentos passam na mente dela, enquando o tempo passa.

Alguém senta no banco, ao lado. O corpo sente algo errado, pressentimentos talvez. Ela evita abrir os olhos. Sente calor, as mãos suando, a garganta seca. Quer sair dali o mais rápido possível, mas, para isso, terá que pedir licença e olhar minimamente para a pessoa. Não querer fazer isso, tinha certeza que iria se arrepender. Prefire fingir que continua dormindo. E até dorme de verdade. Decide que nada fará levantar-se dali. Fica.

O tempo passa.

A sensação passa.

Abre os olhos e não havia mais ninguém ao seu lado. Somente uma rosa e uma carta.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Sonhos-pesadelos


E minhas noites de sono voltam a me atormentar. Não que os sonhos sejam ruins, mas são impossíveis. As últimas noites foram assim: sonhos tão bons que ao acordar lembrei que o que vivia era um pesadelo. Quis voltar a dormir. Voltei. E mais sonhos vieram.

Imagens de felicidade, risos largos, alegria. Parecia que vivia um misto de todas as coisas boas que aconteceram nos últimos anos. De volta a um passado mágico, quando nada do que tornou a vida sem graça ainda tinha existido.

Vi alguém que amo voltar a andar e até passar por entre tubos e grutas. Me vi na praia, curtindo o mar e sol como se estivesse de férias. Revi amigos e brinquei com eles como se nunca estivéssemos nos separado. Amava e era correspondida com a mesma intensidade e mesmos desejos.

Sonhos só se tornam pesadelos quando se acorda e percebe-se que nada daquilo é possível, quando até ganhar na mega senna parece mais fácil.

Voltar a dormir, pelo menos assim vivo a vida que sempre quis.

terça-feira, 13 de março de 2012

O futuro está próximo


Tomando uma xícara de chá me dei conta que este é o ano que o mundo acaba. Ao menos dizem as más línguas. Não queria ficar pensando nisso, mas ao olhar aquele mísero sachezinho que junto ao açúcar torna cada gole único, me pus a divagar sobre as os acontecimentos da vida.

Passo dias e dias estudando, trabalhando e pensando em um futuro distante que talvez nem aconteça. Não por conta do fim do mundo, mas por tudo que acontece com o mundo e com a gente. Desejei não ser eu, mas outra pessoa, alguém com sentidos aguçados para curtir mais a vida, capaz de deixar tudo fluir de forma mais natural, menos tendenciosa, articulada e pensada.

Mas não seria eu... não consigo pensar tão no agora, mas quem sabe possa me esforçar um pouquinho e curtir mês após mês? Quem sabe o meu futuro esteja tão perto quando o finzinho desse chá?

segunda-feira, 12 de março de 2012

Rindo da própria desgraça


Humor é algo que não pode faltar em uma pessoa, seja bom ou mau. Particularmente o mau humor impregnado de sarcasmo e ironia parece ser o mais cruel de todos e também o mais divertido. As dores se transformam em piadas e se ri da própria tragédia. Diverte-se com ela de forma que tudo começa a parecer surreal, ou melhor, irreal.

Dorme-se com a esperança de acordar e perceber que tudo foi um sonho, que nada foi de verdade. Até que se abre os olhos e a realidade cai no colo. Tudo volta e cada lembrança deve ser novamente vista por um outro ângulo para não enlouquecer. Familiares que se vão, amores perdidos, ressacas morais... tudo deve ser modificado na mente para que você não se jogue da janela.

Temos que tornar nossos pensamentos mutantes eternos para sobreviver às intempéries da vida. Situações ruins devem fazer parte daquilo que chamam de "experiência". Por pior que isso possa parecer, é preciso ver beleza na tragédia e buscar algo que possa ser bom. Perdeu o emprego? Tem a chance de fazer algo que realmente gosta. Seu grande amor abandonou você? Vai ver que ele não lhe merece.

A ironia diária ajuda nesse caminho. O sarcasmo e o humor negro podem gerar grandes ideias e desencadear risos sem fim. Nada como uma piada para alegrar o dia; e a liberdade de brincar com o próprio drama é balsâmica, transcende a realidade e é capaz de transformar o maior pesadelo em possibilidade. Ria da própria desgraça que mais dia ou menos dia ela se tornará pequeninha diante de todo o universo de oportunidades a se descobrir.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Alma nua


Com você, me despi complemente. Aos poucos, deixei meus pudores de lado e soltei as minhas armas. Me doei. Você pediu para eu confiar em você, então, deixei minha vida em suas mãos. Foi a única pessoa que conheceu todos os meus medos e minhas angústias, com quem meus sentimentos eram tão transparentes que eu não precisava dizer qualquer coisa para demonstrar que estava com algum problema. Era vulnerável.

Fui eu mesma. Amável, arrogante, mandona, criança, adulta, madura, irresponsável, louca, burra... confusa. E por essas e outras fui levada facilmente em direção à paixão. Também tive culpa, precisava de alguém que gostasse de mim com meus milhares de defeitos e sempre dizendo que eu era perfeita. Descobri que não sou perfeita, mesmo querendo muito.

Hoje ainda estou despida, a espera de algo que possa me reerguer da forma como sou. Minhas tentativas são em vão, todas elas com mudanças tão profundas que me fazem mal. Viro uma outra pessoa na esperança de ser eu mesma. Então, me mostro de novo, mas só para as paredes que estão à minha volta. Choro, me desespero, me vejo sem saída e esperanças. Mas só quando estou só.

Na companhia de conhecidos ou mesmo amigos, sou o que já fui em tempo que não pretendo voltar, mas acontece. As armaduras me vestem, não cai uma lágrima sequer, até me fazer de feliz eu faço, no maior estilo "sou dona do meu nariz". Mal sabem eles que a armadura protege um corpo e uma alma despedaçados e sem destino, descuidados e desleixados.

Sempre cuidei de mim e dos outros, lutava por uma perfeição. Cansei, me entreguei aos cuidados de outrem, mas este mesmo alguém que um dia prometeu cuidar de mim, destruiu meu coração e levou minha felicidade. Fiquei assim, em pé dentro de um suporte que me leva para um lado e para outro. Se isso acabar, tudo se esfacela e caio na escuridão.

Perfeita, nunca fui. Agora, nem mais tento mais ser.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Como se fosse o primeiro beijo


Todo mundo lembra do primeiro beijo, sabe exatamente quando foi, onde foi e com quem foi. Comigo não é diferente. Lembro como se fosse hoje: festa de carnaval do condomínio em que morava. Era um amiguinho da turma. Mesmo conhecendo ele desde muito criança, fiquei em pânico. Frio na espinha, estômago embrulhado, mãos suadas e trêmulas, sem conseguir olhá-lo nos olhos... mal me mexia, a inexperiência era visível.

Não sabia se o beijo era bom ou ruim. Hoje, parei para pensar. Foi mágico. Acho que é por isso que adoro beijos. Consegui lembrar de cada toque daquela boca, um beijo molhado e com jeito de paixão, mesmo com a pouca idade que tínhamos. Sem as preocupações do "ele vai me ligar", "o que faremos depois", "o que faço agora", simplesmente nos beijamos; na época, ficamos.

Saí de perto dele como uma rainha entre minhas amigas, a experiente que já tinha dado o primeiro beijo. Entre elas, eu era a mais velha, alguns meses, mas me achei o máximo, apesar da vergonha do tamanho do universo que senti ao ver ele atrás de todas elas, olhando para mim, querendo mais um pouquinho. Confesso, também queria, mas minhas bochechas vermelhas e a vontade de enfiar minha cara embaixo da terra como um avestruz não permitiram.

De lá para cá, passei por muitas situações parecidas. Sim, por que não? Há sempre a primeira vez em tudo que fazemos. O problema é quando já estamos na segunda, terceira, quarta ou até mil vezes e continuamos a nos sentir na primeira vez. O rosto queimando, as mãos tremendo tanto que não se sabe o que fazer com elas, o coração batendo a três mil por hora... isso é paixão.

Apaixonados, sempre nos sentimos como se fosse a primeira vez, queremos dar o nosso melhor, fazer um beijo arder e um abraço pegar fogo. Desejos que o outro se sinta a única pessoa no mundo e também queremos nos sentir assim. Ao encontrar numa esquina qualquer o foco de minha paixão, me sinto aquela adolescente do primeiro beijo, envergonhada, querendo me esconder. Meu único desejo é que a reação dele fosse a mesma, que olhasse para mim querendo mais. Só que desta vez, seria diferente, eu enfrentaria minhas bochechas vermelhas e iria falar com ele, como se o rosado dela fosse blush que eu passei para ficar linda para mais um noite em que teria mais uma primeira vez.

domingo, 4 de março de 2012

Três em um


Ela era muito feliz, mas ele queria mais. Resolveram unir-se a mais um. Passariam a três, na verdade um: resultado da soma de todos eles. Não era muito o que ela queria para a vida, pois sempre soube que não teria mais vida após o resultado da escolha que fizeram estivesse materializado. Sabia também que teria mais escolhas difíceis a fazer e que faria tudo por amor, apesar de deixar esse mesmo tudo que amava. Incoerências da vida.

Foram em frente, em busca da felicidade. Dias e semanas... uma grande expectativa era gerada em torno de uma pessoa que ninguém ali sabia como era, a única certeza é que já a amavam, não tinha como ser diferente. Ela poderia chorar, berrar, brigar e mesmo assim seria amada, normal para os dois que já viviam esse sentimento tão desejado por muitos, mas alcançado por poucos.

Tudo corria bem. Meses de felicidade plena que bastou um dia para que tudo acabasse. Ou recomeçasse. Na sala de cirurgia, ela não aguentou e deixou sua vida para aquela nova pessoinha desconhecida por todos ali. Com pesar, ele resistiu em aceitá-la, mas ao olhá-la profundamente nos olhos viu o seu grande amor, aquele mesmo que acabara de partir, materializado num ser tão puro que novamente se apaixonou. Assim como sua cara metade deu a vida por ela, ele também daria.

Apesar do desejo de serem três, agora eram dois novamente e, ao mesmo tempo, três. Aliás, um. Sem ela, eles precisaram do apoio um do outro; não que ela deixasse de existir, pelo contrário, ela continuava viva nos corações de cada um. E de onde estivesse, seja lá para onde os caminhos os levassem, o amor agora era inseparável e podia ser carregado para qualquer lugar, pois estava junto, fundido em uma pessoa só.