Com você, me despi complemente. Aos poucos, deixei meus pudores de lado e soltei as minhas armas. Me doei. Você pediu para eu confiar em você, então, deixei minha vida em suas mãos. Foi a única pessoa que conheceu todos os meus medos e minhas angústias, com quem meus sentimentos eram tão transparentes que eu não precisava dizer qualquer coisa para demonstrar que estava com algum problema. Era vulnerável.
Fui eu mesma. Amável, arrogante, mandona, criança, adulta, madura, irresponsável, louca, burra... confusa. E por essas e outras fui levada facilmente em direção à paixão. Também tive culpa, precisava de alguém que gostasse de mim com meus milhares de defeitos e sempre dizendo que eu era perfeita. Descobri que não sou perfeita, mesmo querendo muito.
Hoje ainda estou despida, a espera de algo que possa me reerguer da forma como sou. Minhas tentativas são em vão, todas elas com mudanças tão profundas que me fazem mal. Viro uma outra pessoa na esperança de ser eu mesma. Então, me mostro de novo, mas só para as paredes que estão à minha volta. Choro, me desespero, me vejo sem saída e esperanças. Mas só quando estou só.
Na companhia de conhecidos ou mesmo amigos, sou o que já fui em tempo que não pretendo voltar, mas acontece. As armaduras me vestem, não cai uma lágrima sequer, até me fazer de feliz eu faço, no maior estilo "sou dona do meu nariz". Mal sabem eles que a armadura protege um corpo e uma alma despedaçados e sem destino, descuidados e desleixados.
Sempre cuidei de mim e dos outros, lutava por uma perfeição. Cansei, me entreguei aos cuidados de outrem, mas este mesmo alguém que um dia prometeu cuidar de mim, destruiu meu coração e levou minha felicidade. Fiquei assim, em pé dentro de um suporte que me leva para um lado e para outro. Se isso acabar, tudo se esfacela e caio na escuridão.
Perfeita, nunca fui. Agora, nem mais tento mais ser.

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