segunda-feira, 5 de março de 2012

Como se fosse o primeiro beijo


Todo mundo lembra do primeiro beijo, sabe exatamente quando foi, onde foi e com quem foi. Comigo não é diferente. Lembro como se fosse hoje: festa de carnaval do condomínio em que morava. Era um amiguinho da turma. Mesmo conhecendo ele desde muito criança, fiquei em pânico. Frio na espinha, estômago embrulhado, mãos suadas e trêmulas, sem conseguir olhá-lo nos olhos... mal me mexia, a inexperiência era visível.

Não sabia se o beijo era bom ou ruim. Hoje, parei para pensar. Foi mágico. Acho que é por isso que adoro beijos. Consegui lembrar de cada toque daquela boca, um beijo molhado e com jeito de paixão, mesmo com a pouca idade que tínhamos. Sem as preocupações do "ele vai me ligar", "o que faremos depois", "o que faço agora", simplesmente nos beijamos; na época, ficamos.

Saí de perto dele como uma rainha entre minhas amigas, a experiente que já tinha dado o primeiro beijo. Entre elas, eu era a mais velha, alguns meses, mas me achei o máximo, apesar da vergonha do tamanho do universo que senti ao ver ele atrás de todas elas, olhando para mim, querendo mais um pouquinho. Confesso, também queria, mas minhas bochechas vermelhas e a vontade de enfiar minha cara embaixo da terra como um avestruz não permitiram.

De lá para cá, passei por muitas situações parecidas. Sim, por que não? Há sempre a primeira vez em tudo que fazemos. O problema é quando já estamos na segunda, terceira, quarta ou até mil vezes e continuamos a nos sentir na primeira vez. O rosto queimando, as mãos tremendo tanto que não se sabe o que fazer com elas, o coração batendo a três mil por hora... isso é paixão.

Apaixonados, sempre nos sentimos como se fosse a primeira vez, queremos dar o nosso melhor, fazer um beijo arder e um abraço pegar fogo. Desejos que o outro se sinta a única pessoa no mundo e também queremos nos sentir assim. Ao encontrar numa esquina qualquer o foco de minha paixão, me sinto aquela adolescente do primeiro beijo, envergonhada, querendo me esconder. Meu único desejo é que a reação dele fosse a mesma, que olhasse para mim querendo mais. Só que desta vez, seria diferente, eu enfrentaria minhas bochechas vermelhas e iria falar com ele, como se o rosado dela fosse blush que eu passei para ficar linda para mais um noite em que teria mais uma primeira vez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário