A tristeza muitas vezes toma conta de mim. Para aliviar a dor, as lágrimas surgem nos meus olhos e deixo elas correrem como se fosse algo para lavar a alma. Passam pelas bochechas e, como uma torneira mal fechada, pingam pelo queixo e molham o meu corpo, um papel em cima da mesa, as minhas mãos...
Você sempre me pergunta por quê choro, mas nunca se perguntou por quais motivos eu sorrio?
Choro de saudade, choro pelas augúrias do mundo - ou pela falta delas -, choro por tudo que não vivi, choro por ter errado, choro por não ter tentado, choro por ter ficado inerte diante de alguns acontecimentos, choro por não ter agido, por não ter tido força, por não ter feito por impulso, por ter pensado. As lágrimas brotam, principalmente, pelas lembranças. Um cheiro, uma cama vazia, um chinelo no canto da sala. Fotos, conversas gravadas, uma frase solta lida em um momento de distração. Você está sempre lá. Choro por você.
Choro pela sua falta, pela saudade do seu carinho, pelo jeito que você me olhava. Ainda olha? As mudanças me assustam, as palavras não saem mais como antes. Mesmo um "você é tudo que eu queria ter" não parece mais a mesma coisa. Choro por não lhe ter a hora que eu quero, que preciso. Necessito.
Mas há um misto de alegria nessas lágrimas. Lágrimas híbridas. Sentimentos misturados. Choro junto com riso. Aí que eu sorrio. Na verdade, gargalho. Você sorri. E o choro é de alegria ao ver que faço você feliz. Nem que seja por alguns instantes, momentos, segundos até. Chorrio. E quanto mais meus olhos se enchem de água salgada, menos enxergo. Mais quero enxergar. E sinto que aquele devir é para sempre. Antes daquilo foi passado. Depois, já é futuro. E O tempo é o vivido que nos faz feliz.
As lágrimas que derramo sempre são por você. Não valeria se fosse por outro motivo. As lágrimas aliviam mas abrem a alma e a mostram nos detalhes. Como uma lupa. Melhor: microscópio. Não tem como esconder sentimentos quando elas chegam aos olhos. Não há como segurar. Não há como conter. As feições mudam. O jeito muda. O olhar sobre as coisas mudam. Basta ver. Observar. Não importa se é de tristeza ou alegria. Elas sempre nos transformam quando aparecem. E para sempre.

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