terça-feira, 30 de outubro de 2012

Príncipe, herói e vilão


Se até aquele momento eu não sabia explicar, como conseguir fazer ela entender o que tinha acontecido? Mesmo abalada com tudo, tinha que falar alguma coisa. Abaixei e olhei naqueles olhos ainda inocentes, mas tão confusos quanto os meus. Na minha cabeça só uma pergunta: como?

Pensei em mil coisas, tive um montão de ideias. Meus lábios tentaram por várias vezes pronunciar alguma palavra, qualquer uma que fosse. Nada. Dei um abraço. Chorei prendendo todos os soluços possíveis para que ela não escutasse minha dor. Controlada, ficamos ali, não chão mesmo. Papéis invertidos. Ela sentada, fazendo cafuné. Eu deitada, querendo colo. Só que eu que tinha que dar explicações...

Príncipes encantados não existem. Podem ser heróis e serão para alguém. Para ela, que estava ali comigo, ele era herói mesmo nunca tendo sido inicialmente um príncipe encantado. O que nem ia ser para ela. Nunca, eu sabia. Mas também sabia que um dia alguém seria o príncipe dela, o herói e o vilão.

Ideias. Contos de fadas às avessas. Você é a bruxa, que está com o príncipe. Ele está apaixonado e amolece seu coração. Você, toda romantica, oferece o mundo. Confiante, como toda bruxa que se preze, não se importa dele sair com os amigos, dançar e se divertir; você tem coisas mais urgentes para fazer, como terminar aquela poção que completará a fase felizes para sempre.

Mas um dia ele não volta. Sem notícias, você fica preocupada. Quando o acha, ele virou um sapo e está sendo beijado por uma princesa, que acha que ele vai virar príncipe. Você é enfeitiçada neste momento: o feitiço da desilusão. E como num passe de mágica você está de novo presa na sua torre.

Acho que ela entendeu porque, ao final, chegou a seguinte conclusão: então as bruxas de hoje foram as princesas de ontem e poderão ser as bruxas de amanhã. Os príncipes são sempre sapos, só tem aparência de príncipes aos olhos de quem os beijam. Todos têm o poder de serem heróis e vilões e isso é só uma questão de percepção.

Voltei para minha torre e se aparecer algum sapo, acho que o mato.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Vergonha



Duro é quando você faz as coisas sem pensar nas consequências. Se entrega de corpo e alma a uma causa qualquer achando que ela é a mais importante da sua vida. Mas ela acaba. Você se vê frustado. Tenta de novo e de novo. No mesmo e em coisas diferentes. Nada.

Vergonha.

É esse o sentimento verdadeiro. Apesar de dizerem que é melhor se arrepender do que fez do que não ter feito, a vergonha que vem ao se olhar para trás é uma das piores sensações do mundo. Vergonha por ter tentado enquanto pode, vergonha pela exposição, vergonha por ter sentido. Vergonha de tudo.

Quem dera eu ser sem-vergonha...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

...

Dizem que a vida é feita de ciclos, que todo mundo passa por situações iguais na essência. Em algumas épocas espefícias parece que essa crendice torna-se realidade: por mais que se tente caminhos diferentes, que a vida pareça ter mudado, tudo volta, o bem e o mal. As pistas estão na cara, mas pela experiência, acredita-se que não irá acontecer novamente. Novos rostos, novos amigos, novos amores, novos lugares, novos pensamentos... com tantas diferenças, como caímos nas mesmas armadilhas do destino?

Deve ser a esperança, esperança de viver coisas boas novamente e que os erros ficarão para trás. Até mesmo ela é capaz de ser igual, vem do mesmo jeitinho que vinha antes, com ares e olhares, com toques e sorrisos, seduzindo e envolvendo tudo a sua volta para mais uma vez inebriar mentes e sentidos. E você cai nela novamente, abre o ciclo para circundá-lo de novo, mesmo sabendo que este caminho levará ao céu e ao inferno.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ponto de partida


Você entra em um carro, em um trem ou em qualquer coisa que pegue velocidade. Uma telinha na frente diz para onde você vai. Não, não é um GPS, é uma máquina do tempo. Agora, você é capaz de mudar a história e ser tudo que você quer ser e ainda não é... Mas, ops, e se você mudar os acontecimentos de tal forma a perder lembranças, amigos, familiares?

A ideia de um equipamento capaz de voltar alguns anos é tentadora. Ter um DeLorean passa a ser um sonho de consumo e voltar no tempo, como o McFly, um desejo dos mais profundos, ainda mais quando alguns fatos do passado influenciam tanto o seu presente a ponto de atrapalhar.

Na falta de uma máquina do tempo, fazemos tentativas constantes de simular essa viagem. Buscamos fatos que marcaram e tentamos memorizar o que aconteceu antes e voltar àquilo: objetos dentro de casa, livros não lidos, fotos na parede e até mesmo frases podem ser usados para remontar um contexto anterior, na esperança de fazer ilusoriamente um retorno, ter um ponto de partida para iniciar novamente. Reset.

Mas se você apagar a sua mente como lembrar de não cometer os mesmo erros? Quem já viu "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" sabe bem no que isso pode levar. A não ser que esse seja o destino. É?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Medos. Sempre


Se assustar com algo novo é normal. Mas ficar assustada com algo que já se conhece como se fosse a primeira vez, nem tanto. Mas sou inconstante e os sentimentos dentro de mim vão e voltam o tempo todo. A segurança dá lugar à insegurança; as certezas, às dúvidas; a clareza, à escuridão. Virou rotina: nada mais normal que passar as horas a contemplar o interior e descobrir em segundos a imensa capacidade de mudar, de ser um camaleão, de se adaptar, de se jogar, amar, desiludir, morrer e viver.

Sou mulher, sou criança. Uma adolescente passando pelos primeiros sentimentos profundos. Confusos. Mesmo que de novo. Lágrimas no olhar, medo de não agradar em uma tentativa constante de ser permanentemente perfeita, sabendo que não é e nem nunca vai ser. E daí? Quem nunca tentou agradar ao máximo o outro? Quem nunca desejou ser perfeita para quem está ao lado para que esta pessoa continue lá? Quem nunca desejou não ter sofrido para não sentir medos e incertezas quando algo bate novamente a sua porta?

Coragem e medo andam juntos na busca pela felicidade. Se você não é assim, feche a porta, fique enclausurado em seu mundinho, esqueça relacionamentos, amigos, família. Não ligue a TV, não escute rádio, deixe a música de lado. Morra. Só assim para parar de sentir medo e não precisar ter coragem de enfrentar tudo de novo.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Recomeços


Dias e dias a fio sem conseguir escrever uma palavra. Para quem tinha um turbilhão de pensamentos inebriantes para colocar para fora, isso parece uma absurdo. Busquei nos últimos tempos algo que pudesse decifrar, algo que realmente fosse importante, um sentimento, uma dor... nada. Achei um nada. Ou melhor, achei um tudo que não queria compartilhar; então, descobri que a dor é uma grande inspiração.

Ao me deparar novamente com um certo tipo de felicidade decidi que queria vivê-la. E quem vive não tem muito tempo para dor, para ruminar pensamentos, mergulhar em sentimentos tão profundos em que se fica quase incapaz de voltar a rotina perturbadora, ao cotidiano insosso. Muitos dizem que as palavras vem do coração e formam músicas, poemas, frases lindas de se ler. Mas completo: elas vêm de um coração dolorido, que deseja arrancar tudo que faz mal. Por isso as palavras saem. É uma tentativa desesperada de voltar a viver, de limpá-lo por completo para recomeçar.

Após quase três semanas de esquecimento, me pus a pensar novamente. Mas nenhuma dor mais me consome. Saudades ainda tenho, mas ela não dilacera mais meu coração e entorpece os meus sentidos. Uma saudade boa, de boas horas vividas, de bons papos e risadas. E como lembro das risadas, nada comparado ao vivido nos últimos meses. E nada mais que valha a pena lembrar. Deixo as boas lembranças na memória e bons sentimentos para um recomeço.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Devir permanente


Esses dias estava a conversar sobre luto e sobre as coisas que perdemos na vida. Todo mundo sempre perde algo ao longo da sua existência. Objetos, pessoas e até mesmo memórias. E tudo isso pode estar interligado em um momento único, congelado para a posteridade, em fotografias.

Ao olhar essas imagens, me lembro quem eu já fui, o que já vivi... penso em pessoas queridas, momentos felizes, presentes que ganhei, amigos, família, namorados. Elas me fazem viajar no tempo só para provar que tudo é feito de instantes e que são esses instantes que ficarão guardados, marcados como a ferro na pele.

Matutando sobre isso, lembrei de um livro de filosofia que li em que o autor fala sobre memória. Diz ele que todas as nossas lembranças ficam suspensas em uma virtualidade e que as resgatamos quando precisamos delas de alguma forma. Seria a ideia de que quando estamos para morrer toda a "vida passa na nossa frente", como se estivéssemos buscando algo que nos faça encontrar a solução para a sobrevivência.

Acredito nele. Por isso volta e meia reviro álbuns de fotografia e arquivos digitais. Busco neles sentido para a vida. Instantes congelados capazes de me fazer reviver, me dão gás para seguir em frente, fazem com que eu perceba que a vida é feita de momentos, bons e ruins, mas que são eles que me fizeram ser quem eu sou agora, porque no segundo seguinte já serei outra pessoa, transformada pelo tempo que já passou e não volta mais.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sofrimentos alheios... a tudo



Sei que você me bloqueia na vida, que não quer falar comigo. Que mal eu fiz? Amar demais?
Não o vejo mais, não ouço mais a sua voz, não tenho mais o toque da sua pele... será que esse sofrimento já não basta, é realmente preciso me maltratar mais?
A vida já anda me maltratando
Pessoas distantes, indiferentes a minha dor
Perversas. Mesquinhas. Ácidas. Burras. Interesseiras. Até violentas...
Não quero me expor, mas elas me expõe
Não quero mais nada, mas elas me obrigam a querer tudo
Fico sem querer ir ou vir. Inerte. Mas nem isso é mais permitido
Olhava para o horizonte e via um pôr do sol lindo. Mas qualquer coisa bonita me foi usurpada, como se seu não tivesse mais esse direito
Choro. E muito. Sozinha. De novo. Sempre. Como há muitos anos não chorava com uma perda.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Camisa de força


Quisera eu ter uma camisa de força para prender meus sentimentos
Algo que pudesse fazer com que tudo fique dentro de mim
Sou louca a procurar em outros o que já sei que existe em uma pessoa só
Amor, carinho, um olhar que me faz tremer

Corpos que não quero, beijos que não desejo
Fecho os olhos e tento imaginar um aroma único
Aquele que me faz sair do chão, voar para longe e esquecer os problemas
Aliás, que problemas?

Acordo e estou só novamente com minhas loucuras e meus anseios
Uma marionete na mão de um destino cruel e implacável que não me traz mais felicidade
Lágrimas no lugar de sorrisos ao dormir
Decepção no lugar de alegria ao acordar
Dormir para sempre

- Tirem minhas cordas, prendam tudo dentro do meu corpo até eu me acostumar a deixar tudo adestrado dentro de mim. Não funciono como um cão. Não sou marionete. Sou louca. Cordas não me ensinam. É preciso me aprisionar.

Camisa de força.

domingo, 8 de julho de 2012

Amores perdidos

E então, quando escurece, tudo parece pior. Um nome, uma palavra trocada, um vento frio entrando pela janela... cada momento passado tão lentamente quanto as lágrimas que escorrem pelos olhos e chegam salgadas à boca trêmula, incapaz de pronunciar qualquer palavra.

A tristeza, escondida no olhar durante todo o dia, ganha liberdade para sentir na escuridão da noite, na solidão do quarto. Ao lado, o rádio toca as notícias do dia, as tragédias do mundo. Poderia ser somente mais uma delas, a janela é uma das alternativas para tornar-se notícia.

Covarde.

Prefere ser notícia somente nas conversas alheias, nas fofocas melodramáticas de gente que não sabe o que é amar, olhar olho no olho, ter as bocas unidas como se fossem uma só ou os corpos encaixados feitos um para o outro, sob molde.

Fascinação, ilusão...

E a noite cai e traz com ela mais uma madrugada fria, com sentimentos tristes e melancólicos, com as cobertas servido ora para esquentar ora como lenços para enxugar as lágrimas que teimam em escorrer sem parar. É preciso esquecer, é preciso superar.

Um dia.

Vida: jogo


Eu achava que a paixão quando vinda dos dois lados superaria tudo. Engano. Há muitas coisas entre as pessoas que são mais complexas que elas mesmas não são capazes de explicar. E suportar.

A vida é pura complexidade. Não é porque fez isso de uma forma e obteve bons resultados que sempre dará certo. Assim, deve testar. Arriscar-se em tentativas. Algumas são bem sucedidas. Outras, não.

As que não dão certo nos trazem decepção - creio que essa seja a palavra. Em um relacionamento, por exemplo, os dois lados precisam estar dispostos. Quando somente um se doa, o verbo muda, e dói. Dói muito. O corpo e a mente. Perde-se o chão, a visão, o paladar, o gosto pela vida.

Por mais que se tente trilhar caminhos, chega a hora de um ponto final. Mas o mais complexo nisso é que o ponto final é algo que também não pode ser dado enquanto se tem a possibilidade. Pontos com vírgulas seriam mais adequados.

Acredito que mesmo a morte não coloque ponto final nas coisas. Pelo contrário, isso pode tornar tudo mais eterno do que qualquer sentimento. Porque o pior do amor não é aquele não vivido, mas o interrompido por casualidades da vida. Tipo um jogo de sorte e azar.

Mas se os dados forem viciados e só trouxerem o azar? Casualidades?

Rolem o dados.

domingo, 24 de junho de 2012

Vira-tempo


Quem dera eu pudesse voltar no tempo
Não que eu quisesse mudar algo, pelo contrário: faria tudo de novo
Mas com mais, muito mais
Mais paixão, mais entrega, mais calma, mais alegria, mais paciência
Sim, muito mais incoerente

Voltar no tempo para reviver
Voltar no tempo para viver de novo e tudo diferente
Conseguindo olhar de fora, hoje percebo o quanto fui menos
Precisava de mais
Agora, quero mais

Quero um vira-tempo para ir e voltar a todo tempo
Amar mais, sonhar mais
Me preocupar menos, ter consequências de menos
Há de me entender
Há de me amar, de me enlouquecer, de fazer com que eu me jogue de novo

Ao alto e avante!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Tudo de uma vez só


Adoro frases prontas, beber gelado e andar descalço
Gosto de sorrir, receber sorrisos e de dar um sorriso para quem está triste
Pipoca, mate, areia de praia... não no biquini
Camping, presentes, flores, risole de frango e empada
Minto quando digo que não tô nem aí por você não me dar atenção, um afago e um beijo na boca
Raramente faço dos meus conselhos os meus, erro mais que acerto e assim vou levando
Gosto de cumprir as promessas que faço. Se não consigo, pode ter certeza que eu ficarei muito mais triste por ter me sabotado
Curto quando dizem que me amam
Amo quando quem eu amo diz que me ama
Amor na cama, no quarto, na sala, na praia
Amor
Pintura, música, televisão
Odeio lavar louça, jogar jornal fora e passar roupa
As invenções da era moderna: aspirador de pó e porta USB
Faço mil coisas ao mesmo tempo. Não termino nada
Finalizo meu trabalho sempre no último minuto
Gosto de correria
Odeio correria
Dormir tarde e acordar cedo
Feliz ao ter um boa noite de alguém especial, com um beijo na testa
Um ombro para dormir
Adoro recomeçar, com frases prontas e clichês
Andar de mãos dadas, beijo roubado, amor declarado...
E não tô nem aí para o que você pensa da imagem que acompanha este texto. Eu gostei, e isso basta!

domingo, 20 de maio de 2012

Living la vida


Somente diante de alguns acontecimentos nos damos conta do quanto somos displicentes com nossos sentimentos. Perder uma amigo, um parente ou até mesmo um companheiro são fatores que nos fazem pensar assim. Quando isso acontece, o primeiro pensamento que vem a cabeça é "mundo injusto". Não sei se é bem injustiça... talvez com nós, que ficamos com a saudade e com o pesar de nunca ter dito ou feito mais do que fez ou tinha vontade de fazer ou dizer. Isso é injusto.

Não tenha vergonha de viver. Fale para o mundo, diga o que pensa, sacie seus desejos, faça alguém feliz com o seu sorriso sincero. Grite o que não gosta, espante o que não gosta, não deixar as oportunidades de ser feliz escaparem das suas mãos. O que não dá é para se arrepender do que não fez, do que deixou para depois, do que não viveu. As pessoas vão e vem da sua vida e o mais importante é você saber que elas sabem o quanto você sente, o quanto você quis tudo.

Viva. Viva com intensidade. Viva o que quer. Viva da forma como achar que deve. Um dia, tudo pode perde-se rapidamente e não ter mais volta, e vivendo assim, você só será de sorrisos e lembranças. Boas. Todas boas. Se jogue!

domingo, 6 de maio de 2012

Coisas que tornam a vida única


Passei por alguns dias sem inspiração, por pura indiferença as coisas que aconteciam ao meu redor. Tudo cinza, tudo sem graça: viver por viver. Aliás, sobreviver. Mas dias desses comentaram que eu estava bem, estava voltando a viver após um longo período de tempestades. Percebi neste momento como eu sou boa em disfarces; volta e meia até eu mesmo acredito nisso. Cheia de sorrisos, brincadeiras, amigos... mas com um único pensamento constante: "por que certas coisas só acontecem comigo?".

A cada retorno, a cada dia, esperança de dias melhores vem e vão, como as ondas do mar. Assim como um timoneiro, estou aprendendo a lidar com essas mares da vida, assim, vou tentando levar meu barco mesmo nas piores tempestades. Acostuma-se ao mal. Sobrevive-se. E neste percurso da vida, entre nuvens, trovões e alguns clarões de Sol no céu, diversos fatos marcam a gente. Poderia indicar diversos deles que fazem parte dessa leva de acontecimentos bons e ruins, mas que fazem parte do que sou hoje.

Cheguei a fazer umas lista, tipo "as 10 mais", que ia de "atropelamento por pombo" a "comprar um livro que já tem", mas alguns itens eram tão doloridos para minha alma que decidi apagar, pois após ler e reler a lista, terminei com um "ter dias em que viver parece ser a pior opção".

Timoneiro, timoneiro, aprenda mais uma lição: por mais que as coisas pareçam ruins, a vida é única e quem decide as caminhos a se percorrer é você. Adapte-se e seja feliz, mesmo que somente por alguns instantes. A dor é inevitável, mas há de se acostumar com ela e sobreviver as maiores tempestades. Mas se nada disso der certo, deixe a maré levar um pouco e ver no que dá, pode ser que encontre uma praia paradisíaca em que o Sol brilha todos os dias e as chuvas são para hidratar a alma e não destruí-la.

sábado, 21 de abril de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Jogo de empurra-empurra das traições

Volta a meia a gente toma uma rasteira. Colocamos a culpa em Deus, no mundo, nos amigos, na família... raramente a culpa é nossa. É mais fácil culpar os outros que os resultados das nossas atitudes. Traímos nossa vida pensando assim.

Não tem muito o que dizer sobre essas traições, elas são mais fortes que nós. Vêm junto a um turbilhão de emoções que sentimos e só percebemos o que queremos: torna-se refém dos próprios sentidos, assim, pensamos que estamos vendo sinais onde não existem, criamos esperanças onde só há escuridão, nos iludimos em meio a certeza das desilusões.

Pura sabotagem. 100% boicote

Por que não é simples escolher ser feliz? Por que nos apegamos a pessoas que não nos querem mais, coisas que não suportam mais a nossa presença, objetos que nos remetem a um passado triste?

Amor. Lembranças

Viver de ilusões é um perigo. E todo sentimento é ilusão. Nada palpável. Não dá para guardar numa caixinha, separado por categorias e escolher aquele que melhor cabe em cada momento. Quem dera se assim fosse!


Comparações

Viver é como jogar poquêr. O problema é quando os outros jogadores escondem cartas nas mangas e jogam sabendo que vão ganhar e você, perder.

A Vida é um desses jogadores, pode ser traiçoeira.

Já a Morte, parece que não. Ela já está jogando com você abertamente. Você sabe que ela vai ganhar, só não sabe quando. E mais: quando colocar as cartas na mesa, você vai, muitas vezes, feliz por ter perdido logo esse jogo.

Para a Vida e para a Morte.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Saudade X Liberdade


Duas palavras quase impossíveis de explicar.

Quem sente saudades, simplesmente sente. Chora de dor, ri de amor. Misto de tristeza pela falta com a alegria de se sentir vivo. Vontade de morrer. E às vezes se morre mesmo, por dentro.

Quem tem liberdade, vive com a mente aberta, mas também não sabe como explicar o que é. Simplesmente sente. Pode ser por poder escolher o que quer, andar por onde deseja ou mesmo sentir o que tem vontade e ser feliz por isso. Poder gritar ao mundo que está feliz ou mesmo triste, sem as amarrações sociais impostas por aqueles olhares malignos que prendem nossos sentimentos.

Saudade e Liberdade são sentimentos tão próximos quanto distantes. Um não se deseja ter, o outro faz parte de uma busca incessante do ser humano. Difícil de se ter os dois e o pior: mais fácil ter o primeiro.

Às vezes, caminham juntos. Se tem saudades porque torna-se livre; sozinho no mundo, tendo que conviver com você mesmo, dependente somente das próprias escolhas. O horizonte é o limite, mas a vontade de ir ao encontro dele não existe, e aí que entra a saudade. Ela prende você mesmo você tendo liberdade de escolha.

É como se estivesse caído em um abismo com uma corda mas não saber como usá-la. Como a falta de possibilidades de fuga só fizesse você pensar que único caminho para liberdade é amarrá-la no pescoço e se jogar mais profundamente ainda.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Retorno

Algo quebra dentro de mim a cada segundo. Creio que são pedaços do meu eu interior se desprendendo do meu corpo. Não que eu queira isso, pelo contrário, queria algo que juntasse tudo, como fazia meu coração. Sim, porque é nele que tudo estava grudado e fazia todo o resto funcionar perfeitamente. Mas roubaram ele, levaram não sei para onde e o destruíram.

Para seguir em frente, não basta superação. É preciso mais: tem que querer viver. Mas aí, me pergunto: como viver sem meu coração? Se não bastasse os problemas normais da vida, temos que criar outros, com soluções inalcançáveis? Não adianta traçar estratégias ou mesmo uma conversa franca, é preciso deixar o tempo passar? Se a cada dia que passa um pedaço de mim se vai, como deixar o tempo correr? Esperar o corpo definhar a espera do coração?

Se me devolverem, mesmo que em caquinhos, sei que posso fazê-lo bater forte novamente, basta alguns laços de fita coloridos como o arco-íris, uma cola forte como a confiança e alguns minutos de secagem ao nascer do sol. As feridas abertas com a violência da separação do corpo virarão cicatrizes que permanecerão, e para sempre, e isso só lembrará o quanto é importante cuidar um do outro, sem querer tirar nada, sem querer levar nada.

E se me perguntarem se sou capaz de doar novamente meu coração remendado, eu respondo com toda a certeza do mundo: definharia tudo de novo só para reviver os poucos momentos em que alguém cuidou dele para mim, ver que o meu coração deu vida para outra pessoa nem que tenha sido por breves instantes.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Pensamentos aleatórios sobre a vida

Fé é algo que já tive na vida. Perdi.

• • •

Anjos e demônios devem coexistir para se ter um equilíbrio emocional. Queria ser o anjo, mas me fizeram de demônio só porque amo demais. Então, se querer bem a alguém me torna uma pessoa ruim, imagina se eu quisesse mal?

• • •

Não acredito em Deus.

• • •

Se Deus existisse, iria tomar conta melhor dos seus subalternos para eles não ficarem fazendo merda por aí.

• • •

Mentira tem perna curta.

• • •

Espero que a verdade não venha à cavalo, isso é muito lento. Que ela venha com a velocidade da luz, antes que seja tarde de mais.

• • •

Se o amor é vida, por que ele é capaz de matar?

• • •

Descobrir que cometeu uma injustiça com alguém deve ser algo muito ruim. Reconhecer isso não é fácil; buscar mudar a situação é um drama. Agora imagina quem sofreu a acusação?

• • •

Não sentir fome pode significar que algo está errado. Mas não sentir mais vontade de viver, significa que algo realmente vai mal.

• • •

Família que se envolve no relacionamento de um casal não é família, são intrusos que adoram meter o bedelho onde não foram chamados.

• • •

Você só é independente se a decisão sobre suas as ações dependem só de você. Mas se para tomar decisões você precisa de outras pessoas, a única coisa que você tem é o sofrimento causado pelos seus atos. E esse, só você tem, mais ninguém, nem aqueles que o ajudam a escolher caminhos sofrem as consequências.

terça-feira, 27 de março de 2012

Inquietudes



Noites de pouco sono. Manhãs de muito sono.
Quando se deve dormir, se está acordado.
Do contrário, quando se deve agir, o desejo é repousar.
Insônia?

A vida tem dessas coisas, principalmente quando o seu dia é feito de pesadelos e suas noites, de sonhos profundos e iluminados. Assim, se quer dormir de manhã para viver uma vida de felicidade e se quer ficar acordado à noite para continuar vivendo assim. Conflitos gerais.

Nunca se sabe o que causa isso. Noites a fio pensando nos melhores caminhos para tornar o dia mais fácil. Adormece-se e os sonhos voltam, uma mistura mágica de sentimentos tão fortes que se acorda para viver aquilo. Não, de volta ao pesadelo. E ainda são 4h30 da madrugada.

Hoje, será um longo pesadelo que só terá fim quando o dia acabar e surgir a possibilidade dos sonhos retornarem.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Procura-se coração

Perdido há praticamente três meses.

Foi visto pela última vez no sábado pelas ruas do centro da cidade. Estava acompanhado de um rapaz. Crê-se que é o mesmo cara que o pegou há pouco mais de um ano, mas ainda era visto pelas ruas juntos, o que configurava consciência por parte do coração.

Hoje, pelo sumiço, subentende-se que ele esteja perdido e machucado. Antes do último paradeiro, foi visto pela Bahia, pela Zona Sul do RJ e outras vezes perdido por aí, em um lugar ou outro. Até então, ninguém estava preocupado com ele, mas neste momento, sua dona está desesperadamente atrás dele, pois não aguenta mais de aflição sem saber o que acontecerá com esse pobre órgão sofredor.

Assim, quem o achar por aí, por favor, entre em contato, pois a cada dia que passa a saudade aumenta e o corpo entristece.

Paga-se resgate, mesmo estragado. Ela conserta.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Série 'Encontros e desencontros' - parte 4


Um ônibus passa veloz. Ela está dentro dele, meio acordada meio dormindo. O vento entra pela pequena fresta da janela e acalma os transtornos do dia como uma brisa do mar em um fim de tarde na praia. A sensação é a mesma, pelo menos naquele momento. Apesar do dia agitado, ela continua com os olhos fechados, como em repouso, e mil pensamentos passam na mente dela, enquando o tempo passa.

Alguém senta no banco, ao lado. O corpo sente algo errado, pressentimentos talvez. Ela evita abrir os olhos. Sente calor, as mãos suando, a garganta seca. Quer sair dali o mais rápido possível, mas, para isso, terá que pedir licença e olhar minimamente para a pessoa. Não querer fazer isso, tinha certeza que iria se arrepender. Prefire fingir que continua dormindo. E até dorme de verdade. Decide que nada fará levantar-se dali. Fica.

O tempo passa.

A sensação passa.

Abre os olhos e não havia mais ninguém ao seu lado. Somente uma rosa e uma carta.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Sonhos-pesadelos


E minhas noites de sono voltam a me atormentar. Não que os sonhos sejam ruins, mas são impossíveis. As últimas noites foram assim: sonhos tão bons que ao acordar lembrei que o que vivia era um pesadelo. Quis voltar a dormir. Voltei. E mais sonhos vieram.

Imagens de felicidade, risos largos, alegria. Parecia que vivia um misto de todas as coisas boas que aconteceram nos últimos anos. De volta a um passado mágico, quando nada do que tornou a vida sem graça ainda tinha existido.

Vi alguém que amo voltar a andar e até passar por entre tubos e grutas. Me vi na praia, curtindo o mar e sol como se estivesse de férias. Revi amigos e brinquei com eles como se nunca estivéssemos nos separado. Amava e era correspondida com a mesma intensidade e mesmos desejos.

Sonhos só se tornam pesadelos quando se acorda e percebe-se que nada daquilo é possível, quando até ganhar na mega senna parece mais fácil.

Voltar a dormir, pelo menos assim vivo a vida que sempre quis.

terça-feira, 13 de março de 2012

O futuro está próximo


Tomando uma xícara de chá me dei conta que este é o ano que o mundo acaba. Ao menos dizem as más línguas. Não queria ficar pensando nisso, mas ao olhar aquele mísero sachezinho que junto ao açúcar torna cada gole único, me pus a divagar sobre as os acontecimentos da vida.

Passo dias e dias estudando, trabalhando e pensando em um futuro distante que talvez nem aconteça. Não por conta do fim do mundo, mas por tudo que acontece com o mundo e com a gente. Desejei não ser eu, mas outra pessoa, alguém com sentidos aguçados para curtir mais a vida, capaz de deixar tudo fluir de forma mais natural, menos tendenciosa, articulada e pensada.

Mas não seria eu... não consigo pensar tão no agora, mas quem sabe possa me esforçar um pouquinho e curtir mês após mês? Quem sabe o meu futuro esteja tão perto quando o finzinho desse chá?

segunda-feira, 12 de março de 2012

Rindo da própria desgraça


Humor é algo que não pode faltar em uma pessoa, seja bom ou mau. Particularmente o mau humor impregnado de sarcasmo e ironia parece ser o mais cruel de todos e também o mais divertido. As dores se transformam em piadas e se ri da própria tragédia. Diverte-se com ela de forma que tudo começa a parecer surreal, ou melhor, irreal.

Dorme-se com a esperança de acordar e perceber que tudo foi um sonho, que nada foi de verdade. Até que se abre os olhos e a realidade cai no colo. Tudo volta e cada lembrança deve ser novamente vista por um outro ângulo para não enlouquecer. Familiares que se vão, amores perdidos, ressacas morais... tudo deve ser modificado na mente para que você não se jogue da janela.

Temos que tornar nossos pensamentos mutantes eternos para sobreviver às intempéries da vida. Situações ruins devem fazer parte daquilo que chamam de "experiência". Por pior que isso possa parecer, é preciso ver beleza na tragédia e buscar algo que possa ser bom. Perdeu o emprego? Tem a chance de fazer algo que realmente gosta. Seu grande amor abandonou você? Vai ver que ele não lhe merece.

A ironia diária ajuda nesse caminho. O sarcasmo e o humor negro podem gerar grandes ideias e desencadear risos sem fim. Nada como uma piada para alegrar o dia; e a liberdade de brincar com o próprio drama é balsâmica, transcende a realidade e é capaz de transformar o maior pesadelo em possibilidade. Ria da própria desgraça que mais dia ou menos dia ela se tornará pequeninha diante de todo o universo de oportunidades a se descobrir.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Alma nua


Com você, me despi complemente. Aos poucos, deixei meus pudores de lado e soltei as minhas armas. Me doei. Você pediu para eu confiar em você, então, deixei minha vida em suas mãos. Foi a única pessoa que conheceu todos os meus medos e minhas angústias, com quem meus sentimentos eram tão transparentes que eu não precisava dizer qualquer coisa para demonstrar que estava com algum problema. Era vulnerável.

Fui eu mesma. Amável, arrogante, mandona, criança, adulta, madura, irresponsável, louca, burra... confusa. E por essas e outras fui levada facilmente em direção à paixão. Também tive culpa, precisava de alguém que gostasse de mim com meus milhares de defeitos e sempre dizendo que eu era perfeita. Descobri que não sou perfeita, mesmo querendo muito.

Hoje ainda estou despida, a espera de algo que possa me reerguer da forma como sou. Minhas tentativas são em vão, todas elas com mudanças tão profundas que me fazem mal. Viro uma outra pessoa na esperança de ser eu mesma. Então, me mostro de novo, mas só para as paredes que estão à minha volta. Choro, me desespero, me vejo sem saída e esperanças. Mas só quando estou só.

Na companhia de conhecidos ou mesmo amigos, sou o que já fui em tempo que não pretendo voltar, mas acontece. As armaduras me vestem, não cai uma lágrima sequer, até me fazer de feliz eu faço, no maior estilo "sou dona do meu nariz". Mal sabem eles que a armadura protege um corpo e uma alma despedaçados e sem destino, descuidados e desleixados.

Sempre cuidei de mim e dos outros, lutava por uma perfeição. Cansei, me entreguei aos cuidados de outrem, mas este mesmo alguém que um dia prometeu cuidar de mim, destruiu meu coração e levou minha felicidade. Fiquei assim, em pé dentro de um suporte que me leva para um lado e para outro. Se isso acabar, tudo se esfacela e caio na escuridão.

Perfeita, nunca fui. Agora, nem mais tento mais ser.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Como se fosse o primeiro beijo


Todo mundo lembra do primeiro beijo, sabe exatamente quando foi, onde foi e com quem foi. Comigo não é diferente. Lembro como se fosse hoje: festa de carnaval do condomínio em que morava. Era um amiguinho da turma. Mesmo conhecendo ele desde muito criança, fiquei em pânico. Frio na espinha, estômago embrulhado, mãos suadas e trêmulas, sem conseguir olhá-lo nos olhos... mal me mexia, a inexperiência era visível.

Não sabia se o beijo era bom ou ruim. Hoje, parei para pensar. Foi mágico. Acho que é por isso que adoro beijos. Consegui lembrar de cada toque daquela boca, um beijo molhado e com jeito de paixão, mesmo com a pouca idade que tínhamos. Sem as preocupações do "ele vai me ligar", "o que faremos depois", "o que faço agora", simplesmente nos beijamos; na época, ficamos.

Saí de perto dele como uma rainha entre minhas amigas, a experiente que já tinha dado o primeiro beijo. Entre elas, eu era a mais velha, alguns meses, mas me achei o máximo, apesar da vergonha do tamanho do universo que senti ao ver ele atrás de todas elas, olhando para mim, querendo mais um pouquinho. Confesso, também queria, mas minhas bochechas vermelhas e a vontade de enfiar minha cara embaixo da terra como um avestruz não permitiram.

De lá para cá, passei por muitas situações parecidas. Sim, por que não? Há sempre a primeira vez em tudo que fazemos. O problema é quando já estamos na segunda, terceira, quarta ou até mil vezes e continuamos a nos sentir na primeira vez. O rosto queimando, as mãos tremendo tanto que não se sabe o que fazer com elas, o coração batendo a três mil por hora... isso é paixão.

Apaixonados, sempre nos sentimos como se fosse a primeira vez, queremos dar o nosso melhor, fazer um beijo arder e um abraço pegar fogo. Desejos que o outro se sinta a única pessoa no mundo e também queremos nos sentir assim. Ao encontrar numa esquina qualquer o foco de minha paixão, me sinto aquela adolescente do primeiro beijo, envergonhada, querendo me esconder. Meu único desejo é que a reação dele fosse a mesma, que olhasse para mim querendo mais. Só que desta vez, seria diferente, eu enfrentaria minhas bochechas vermelhas e iria falar com ele, como se o rosado dela fosse blush que eu passei para ficar linda para mais um noite em que teria mais uma primeira vez.

domingo, 4 de março de 2012

Três em um


Ela era muito feliz, mas ele queria mais. Resolveram unir-se a mais um. Passariam a três, na verdade um: resultado da soma de todos eles. Não era muito o que ela queria para a vida, pois sempre soube que não teria mais vida após o resultado da escolha que fizeram estivesse materializado. Sabia também que teria mais escolhas difíceis a fazer e que faria tudo por amor, apesar de deixar esse mesmo tudo que amava. Incoerências da vida.

Foram em frente, em busca da felicidade. Dias e semanas... uma grande expectativa era gerada em torno de uma pessoa que ninguém ali sabia como era, a única certeza é que já a amavam, não tinha como ser diferente. Ela poderia chorar, berrar, brigar e mesmo assim seria amada, normal para os dois que já viviam esse sentimento tão desejado por muitos, mas alcançado por poucos.

Tudo corria bem. Meses de felicidade plena que bastou um dia para que tudo acabasse. Ou recomeçasse. Na sala de cirurgia, ela não aguentou e deixou sua vida para aquela nova pessoinha desconhecida por todos ali. Com pesar, ele resistiu em aceitá-la, mas ao olhá-la profundamente nos olhos viu o seu grande amor, aquele mesmo que acabara de partir, materializado num ser tão puro que novamente se apaixonou. Assim como sua cara metade deu a vida por ela, ele também daria.

Apesar do desejo de serem três, agora eram dois novamente e, ao mesmo tempo, três. Aliás, um. Sem ela, eles precisaram do apoio um do outro; não que ela deixasse de existir, pelo contrário, ela continuava viva nos corações de cada um. E de onde estivesse, seja lá para onde os caminhos os levassem, o amor agora era inseparável e podia ser carregado para qualquer lugar, pois estava junto, fundido em uma pessoa só.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Série 'Encontros e desencontros' - parte 3



Morri.
Acordei em outro lugar assustada com alguém me dizendo que tudo iria acabar bem. Não tinha muita certeza disso, pois reconhecia aquela voz, aquela silhueta e aquele toque em meu rosto. Eu não era indiferente a eles, mas não conseguia ver quem era exatamente, ou não lembrava, era algo que estava muito escondido em minha memória, mas que me causava calafrios, dores pelo corpo. A minha única certeza era de que aquelas sensações que me levaram até ali, o que não era lá um prenúncio de que algo bom iria realmente acontecer.

Acordei.
Não tinha morrido, não da forma como se morre normalmente. Era como um zumbi. Levantei, escovei os dentes, tomei banho, me arrumei e fui para o trabalho. Almocei, descansei, voltei a trabalhar. Fui para casa, tomei banho novamente, troquei os canais da TV e fui deitar para esperar mais um dia. Vida? Não, isso não pode ser vida.

Antes tivesse morrido, pois assim teria a certeza que tudo iria acabar bem. Aliás, já teria acabado, nem bem, nem mal, simplesmente teria tido um ponto final.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Série 'Encontros e desencontros' - parte 2


A fuga continua.
Vou para todos os lados possíveis: viro a esquina, dou de cara com as costas do meu algoz.
Mais uma esquina, e vejo os pontos pretos que contornam o corpo dele.
Meu esforço para correr é na velocidade da luz, mas há algo que me puxa e corro com a velocidade de um coala comendo folhas de eucalipto.
Não consigo me desvencilhar dessas amarras invisíveis que me prendem.
Paro de lutar contra, do que adianta o esforço se é ele que está em todos os lugares?
Então, que me encontre logo e destrua o que sobrou de mim.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Série 'Encontros e desencontros' - parte 1


Era um dia de sol, alto verão em algum lugar do mundo. Estava feliz por poder passar um dia com os amigos mais queridos do mundo. Mas não pude... Um encontro seria inevitável na situação. Resolvi fugir. Fugir do meu destino cruel de desejar muito, mas não poder lançar nem um olhar mais profundo naqueles olhos pretos que um dia fizeram eu me sentir única. Eu seria só mais um ponto na multidão, nada suportável.

Uma amiga topou me acompanhar e outro de levar minhas malas ao aeroporto. Cheguei com antecedência, comprei passagens para um lugar distante o bastante para me fazer esquecer aquela solidão. Esperei. 10 minutos para o voo. Cadê minhas malas?

Desço as escadas em desespero, entro em um condomínio que surgiu em meu caminho. Crianças nadando na piscina, garotos jogando bola, casais conversando na sombra de uma árvore. O tempo continuava a passar e aqueles segundos naquele lugar pareceram uma eternidade. Amigo? Amiga? Perdida de todos. Sozinha querendo fugir de tudo e de todos.

O avião decolou e eu continuei só, sentada num canto qualquer com as lágrimas a escorrerem pelo meu rosto com a intenção de afogar-me, não permitindo que eu respirasse, me mexesse ou fugisse dali... Meu destino teria que ser vivido. Rumo à crueldade.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um ano


Espaço de tempo que compreende:

12 meses
52 semanas
365 dias
8.760 horas
525.600 minutos
31.536.000 segundos

Com tanto tempo, me explica o por quê de somente alguns segundos conseguirem mudar uma vida para sempre?

E só para frisar: mesmo conseguindo mudar a vida em poucos segundos, para tornar tudo um merda leva menos tempo ainda..

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A vida e as matérias da vida


Aprendizado. Esta é a palavra do momento. Tudo que acontece no dia a dia, de bom ou ruim, pensamos: irei aprender com isso, serei um pessoa mais forte. Mortes, separações, desastres... tudo entra para o "aprendizado". Mas e quando coisas boas acontecem, por que não paramos para pensar "nossa, que gostoso, vou aprender com isso e ser uma pessoa mais forte"? Parece que só nos tornamos mais fortes nas adversidades, resolvendo os problemas da vida, como se ela só de coisas boas não fosse "tão boa" assim...

Sempre busco a felicidade e facilitar para que isso seja real. O problema é que não vivo sozinha no mundo e as outras pessoas, essas sim, complicam tudo. O sofrimento parece o auge para o crescimento pessoal. A questão é que elas não sofrem sozinhas, me levam junto. Eu não quero esse tipo de aprendizado! Ele não me traz sentimentos bons, proveitosos para um futuro incerto, só traz medo e angústia. Medo de errar, angústia por não solucionar.

Esses resultados da vida que não concordo. Se "eu quero você" + "você me quer" = "não estamos juntos", há algo errado na equação. Ela parece mais com (amo você)³ + (eu quero você)² + (você me quer) - (você não pode)³ - 10.(algo acontece para você desistir de mim) = estamos separados. Nada pode ser tão fácil, mas como somos nós que desenvolvemos a equação, posso incluir um "o mundo conspira a nosso favor", "um lindo pôr do sol seguido de milhares de estrelas no céu" e "somos perfeitos um para o outro". Tudo isso multiplicado por mil.

Agora, se mesmo assim, o problema não for resolvido, mudo de matéria. Se a matemática não der certo, vamos para a química...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sonhos e pesadelos

Dormir e se sentir acordada. Inception. Dejá vu



Fecho os olhos. Abro. Tudo ainda acontece
Não. São somente sombras... muito reais
Cheiro, gosto, textura. Tudo lá
Os olhos acostumam com a escuridão e a realidade volta
Sonho

Fecho os olhos novamente. Nada
Peraí, nada não. Tá lá, rondando os meus pensamentos mais profundos
Mas não sozinho. Acompanhado
Ignora. Cumprimenta. Um estranho. Uma estranha. Buracos no chão. Jogo-me
Pesadelo

Conversas, risos, lágrimas. Confuso
Próximo e afastado. Antagonismo puro
Tudo assim como sempre foi
Sempre?
Realidade

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fim da esperança?


Vivi momentos de muita abundância. Era tudo demais: trabalho demais, família demais, felicidade demais, amor demais. Passei parte do verão, outono, inverno e primavera vivendo na mais pura paz de espírito. Mas a fonte secou, o sol parou de brilhar e junto com a chegada das chuvas, a esperança foi-se. Não uma esperança qualquer, mas aquela que nos faz viver, que nos faz continuar caminhando. Nada, nunca, foi tão sombrio na vida.

Junto a vida julgada ideal, acabaram também a felicidade e a vontade de fazer valer a pena. A paixão virou um risco. Risco de vida, que me consome aos pouquinhos, dia a dia, levando minha energia vital, aquela que diziam que eu roubava a cada momento de amor. Como o gado na seca do sertão brasileiro. Só que, ao contrário dele, eu como, me movo, bebo água... mas é como se nada disso tivesse efeito.

Crueldade. Tortura. Algo que ataca de dentro para fora.

As aparências enganam qualquer um. Nestes momentos que descubro o quanto sou boa em agradar as pessoas, em esconder o que sinto e guardar tudo para mim. Todas as chuvas, todas as tormentas, todo lado sombrio inserido dentro do meu ser. Eles não escapam com facilidade como um sorriso sincero ou uma palavra de amor já proibida. Esses são incontroláveis.

O sentimento perturbador me persegue e me ronda, como urubus sob os animais que definham na seca, somente esperando o momento final para atacar. E quando atacam, sem escapatória. Mas ainda há luta, e mesmo com a esperança perdida, ela ainda está lá para ser encontrada. Basta alguns pingos para curarem a sede e trazê-la de volta.

Se não for pela esperança, realmente não valerá mais a pena.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Abismos


As histórias são iguais, o que muda é a percepção que temos sobre elas. Assim também acontece com os abismos da vida. Você pode se jogar de qualquer um deles. Os reais, aqueles que têm milhares de metros de profundidade, causam estragos perceptíveis rapidamente. Se você está fazendo uma trilha, basta dar uma escorregada e foi-se a sua vida em alguns poucos segundos. Dor rápida. Passageira. Sem grandes distúrbios. Só para os que ficam, mas não tem opção, não há escolha.

Apesar disso, os abismos imaginários são os piores, pois ao cair neles são horas - dias, semanas e até meses - de queda livre. O estrago pode até ser visto, mas não sem um certo cuidado. As paixões normalmente estão neste abismo. Para alcançá-la, você precisa se jogar. E de cabeça. Nada de escorregadinha. É preciso pular sem pensar no que vai acontecer, onde está o fundo. E este é sempre alguém que coloca, para você bater a cabeça, com força, mas sem morrer, só para da próxima vez pensar melhor antes de de atirar nas profundezas do amor...

É um abismo tão subjetivo que não há nada nem ninguém que possa lhe tirar de lá. Alguns amigos tentam estender a mão para puxar você de volta. Eles não entendem nada. Amigos de verdade lhe veem caindo e se jogam junto para fazer companhia na queda. Nesta descida, de mãos dadas e olhos fechados, pode passar uma ventania e fazer o curso da queda mudar de rumo. Essa é a ideia: um abismo sem escalas que leva a gente para onde for melhor.

Me jogar? Já fui. Amigos? Estão aos poucos se jogando comigo e, daqui a pouco, formaremos um grupo tão grande que virará um balão só para que eu possa ver o abismo de cima e passar a se levada com mais segurança pelos caminhos da vida. Sem rumo. Sem medo. Juntos, sempre.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Falsas promessas


Tem pessoas que são muito estranhas. Não sabem bem o que sentem e acreditam que qualquer friozinho na espinha é amor. Assim, esse arrepio se transforma no "amor da minha vida". Promessas vazias, sem fundamento lógico, são feitas. Troca de olhares. Beijos molhados. Um cheiro no cangote no meio da rua. Tudo, mas tudo tem jeito de paixão. De amor. Mas é só frio na espinha.

Um amanhecer com cheiro de felicidade. Um sorriso de bom dia ao acordar. Carinhos, conversas, risos... falsos. Ou não falsos? Nunca dá para saber. Ao estarmos apaixonados, todas as ações parecem mágicas, verdadeiras, nos completam. Elas nos fazem ver sentido na vida. Tudo com cores, sensações extremas.

O melhor beijo do mundo. O melhor abraço do mundo. E por mais que você procure, é essa pessoa que faz você se sentir viva, mesmo que esses sentimentos não sejam os mesmos para ela. Você procura em outros corpos aquele que se encaixe no seu, mas não é perfeito. Ninguém vai substituir. Nem a ilusão das promessas será a mesma. Falso. Tudo agora soa falso.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Saudades sem fim

Abro espaço para algo que li num blog. Com os devidos créditos à autora Kelly Moraes (espero que seja verdade...). Momento oportuno.




"Dizem que a distância faz aumentar o amor.
Dizem também que um grande amor supera as maiores distâncias.
Dizem uma porção de coisas, mas acredito que ninguém está passando pelo que nós passamos.
Palavras, por mais bela que sejam, jamais poderão amenizar esta dor e esta saudade.
Eu tento controlar o pensamento, mantê-lo preso a qualquer outra coisa, mas ele fatalmente acaba voltando ao mesmo ponto: você.
Nada consola. Então sofro e, às vezes, com egoísmo, penso que seria melhor não tê-lo conhecido. Depois me arrependo. Se isso tivesse acontecido, eu jamais saberia o que é o amor de verdade, nem saberia valorizar cada momento que passamos juntos.
Eu estou aqui, como sempre estive e onde sempre estarei... a sua Espera"